No momento de inscrição criou-se uma grande expectativa de quem seriam os cursistas aprovados e como seriam tratados assuntos tão polêmicos como a discriminação, o preconceito e os estereótipos criados em torno de tais situações. A maioria se julgava não preconceituoso, mas ao passar dos encontros, das leituras percebeu que algum tipo de preconceito praticava, talvez inconscientemente mas praticava.
Busquei a leitura de muitos textos antes do início do curso e um que chamou bastante atenção foi escrito pelo Professor de Psicologia da Universidade Federal de Ouro Preto, Sr. Francisco Moura, ele diz que a diversidade de indivíduos dentro de um mesmo espaço faz a riqueza de uma sociedade e de uma cultura. A diversidade é indispensável e esta dia-a-dia presente nas escolas, pois a população que nela convive são de diferentes culturas e grande diversidade tornando-se um cenário corriqueiro na sala de aula, levando o professor a enfrentar diversas situações buscando respeitar as diferenças do seu aluno. Destaco esta leitura, pois nos remete a pensar que todos ou a maioria dos professores deveriam buscar qualificação em cursos como este de Gênero e Diversidade na Escola para aprender a “respeitar as diferenças”, é preciso e urgente que se perceba que os alunos são todos diferentes e carregam consigo uma bagagem cultural imensa que deve ser valorizada e aproveitada no contexto escolar e neste contexto lembro ainda que a discriminação ocorre também entre os educadores, portanto o respeito a diversidade e as diferenças deve estar presente entre tod@s @s atores do processo educativo.
A escola é considerada o local onde se encontra a maior diversidade, pois o professor tem que trabalhar com as múltiplas diferenças, tais como: étnico-raciais, inclusão de deficientes, educação sexual, diversos gêneros e diferentes interesses humanos ocorrendo assim diversas situações de preconceito. Considero a escola como um local ideal para discutir, refletir sobre as diferenças entre as pessoas seja de cunho cultural, religioso, sexual, pois o professor pode contribuir de maneira eficaz na formação intelectual das crianças, adolescente e jovens de nosso país, porém para isto os educadores necessitam aperfeiçoar-se no assunto evitando gafes na sua prática escolar, pois trabalhar a diversidade em sala de aula não é tarefa fácil e os professores não tem preparo para tal ação, sendo esta uma divida que a escola possui com a sociedade.
O respeito à diversidade ocorrerá quando os educadores abandonarem certos paradigmas, abrindo-se para discussões, certos de que há muitas visões de mundo e diferentes culturas.
Algumas reportagens da Revista Nova Escola vem tratando questões polêmicas que devem fazer parte do cotidiano escolar. Cito uma intitulada Meninos X Meninas, ela traz situações que ocorrem diariamente e muitas vezes o educador não percebe que está provocando a discriminação de gênero. Conceituar gênero significa compreender que homens e mulheres são produtos da realidade social em que convive e nada tem haver com a anatomia corporal, o biológico que possui. No senso comum muitos acreditam que mulheres agem de determinada forma porque nasceram pré-destinadas a isto e homens da mesma forma, mas quando se estuda o assunto sabe-se que muitas características tidas como femininas ou masculinas são criações da sociedade, pode haver homens sensíveis e mulheres duronas, pois o sexo não é fator determinante.
Pequenas ações cotidianas reforçam preconceitos na sociedade, onde está definido que usar rosa é coisa de menina? Brincar de carrinho é necessariamente coisa de menino? As pessoas se dão o direito de violar os valores nos outros, criando julgamentos e cobranças o que gera discriminações cruéis tanto para mulheres como para homens. A escola precisa mostrar que há pessoas diferentes, com religiões diferentes, pensamentos diferentes e vivencias diferenciadas que tornam o mundo heterogêneo, mas que jamais pode gerar discriminação.
Na maioria das escolas já existem projetos de saúde e prevenção, considero os mesmos valiosos, pois trazem questões que quebram tabus. Para trabalhar com estes projetos é necessário abandonar conceitos de uma educação conservadora da qual somos frutos, quebrando certas regras religiosas e culturais, não se pode permitir que pessoas sejam ameaçadas por causa de sua cor de pele, da sua opção sexual, pela roupa que veste, ou seja, por pensar e agir diferente da maioria, não é possível continuar pensando que apenas os heterossexuais são normais, numa sociedade que as famílias já não são mais somente formadas pelo pai, mãe e filhos, pois as pessoas estão fazendo outras opções de sexo que devem ser consideradas normais e as crianças frutos destas uniões já estão chegando às escolas.
Merece destaque ainda a questão sobre a dívida social que o Brasil tem com os negros, os mesmos foram arrancados de suas casas, tradições como animais e trazidos para ajudar no desenvolvimento do país de forma totalmente arbitrária, sendo tratados como meros objetos, seres inferiores e incapazes de um progresso pessoal. Ainda hoje há reflexos destas idéias impostas há tantas décadas. Surge então uma forma que procura naturalizar as diferenças que é o racismo, buscando neutralizar as diferenças. Erroneamente tenta-se acabar com o racismo, mascarando o mesmo, domesticando as diferenças.
É necessário haver políticas públicas eficientes capazes de igualar todos os seres humanos independente de condições sociais, cor de pele, raça, oferecendo ensino público de qualidade a todas as faixas etárias, visando formar cidadãos críticos, capazes de lutar por seus direitos sendo cumpridores de seus deveres.
Cotidianamente nos deparamos com situações que nos levam a questionar, duvidar e buscar caminhos nos conhecimentos adquiridos durante o estudo das questões de gênero e diversidade na escola. A escola como instituição de saber, com seu corpo docente devem priorizar a análise de sua prática, redirecionando o que for necessário para melhor trabalhar com as diferenças que geram discriminação e em alguns casos a evasão escolar.
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